Pra que tantos bons dias?, pensou, já com a cara embirrada, tomando o café sem ver, sem sentir o gosto, a temperatura. Notou a xícara esquentando, mas só.
Suspirou, mais bons dias. Esse povo não cansa? Bom dia, bom dia, bom dia...
Quero que se fodam todos, todos! Pensa nisso e lá ta outro ‘bom dia’, esse fez até um sorrisinho depois, que retardado!
Que dia era hoje? E pra que saber? Pra que torcer que fosse um bom dia.
Aquele dia, como todos os outros era apenas mais um dia, mais um.
Se tivesse coragem e uma arma, ou uns comprimidos, mas nem isso.
Solta um suspiro sem ver, aquela paisagem, aquela janela empoeirada todo dia o mesmo
quadro, já tinha cansado.
Olha pra t.v. ligada ali desde sempre, alguém fala algo que agora ele não quer escutar, apenas se apega aquele barulho como referência de mundo. Alguém diz ‘bom dia’ na t.v.
e ele percorre a sala de coração apertado...’bom dia é, aonde ? ’
Alguém passa por ali limpando, fazendo barulho, cantarolando um sambinha,
Ele amaldiçoa a música, nossa, música..há quanto tempo.
Espera a velha mulata sair. ‘Vou ligar o som’, pensa com um meio sorriso...
No automático, desliga a t.v. coçando a bunda, escolhe um viril e conclui a tarefa.
Respira.
Gosta do que sente, enquanto a música escorrega pra dentro...
Respira fundo.
Sim, gosta daquela calma que vem com o som.
Respira mais fundo ainda, já sorrindo...
Talvez eles até tenham razão...
Talvez seja um bom dia..
Talvez..
Mau humor volta lembrando do fardo pela frente. Desde quando virou um fardo e pesado, não sabia.
Apenas, que tinha perdido aquela alegria, aquela esperança que seu povo todo tinha, sei lá onde, se esqueceu de recarregar as pilhas.
Tentou lembrar de quando era feliz. De quando sorria por nada.
Lá atrás. Antes de casar e se enfiar naquele fim de mundo pra poder caber naquela casa e naquele fim de mundo. Também deixou de sonhar, porque não dava, simplesmente
não se alimentaria de sonhos..
Sim, nessa época sorria, queria ser pintor de paisagens.
Era dos bons, diziam.
Queria ir pra uma praia e ficar ali ciscando moedas de turistas, pintando pores de sol em azulejos.
Mas foi picar cartão, cumprir horário, era a sina.
Com um gosto amargo na boca, não sabia do que, olhou pela janela e sem reparar no horizonte, praguejou a chuva que se anunciava perto.
Já se conformara, e talvez fizesse cara de feliz na próxima ceia em família, decidiu enquanto botava o uniforme surrado e fechava a janela.
Agora ia. E a música na vitrola que quase o alegrara ficava pra trás.
Já na porta ouve a esposa gritar: ‘Tenha um bom dia!’...
Silvana Gonçalves
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
'Não ser é outro ser' Fernando Pessoa
Nunca fui de achar nada, ia e fazia, ia e falava.
Mas depois que virei gente grande e antes que virasse
gente normal, comecei a ‘achar’ coisas antes de fazer,
E daí,depois que acho , fico me perdendo por me podar,
Pelo que os outros vão achar.
Você me entende?
Você também já se calou só pra evitar pré julgamentos?
To virando gente séria,adulta, e aprendi a achar.
Hoje me perdi.
De saudades.
Silvana Gonçalves
Mas depois que virei gente grande e antes que virasse
gente normal, comecei a ‘achar’ coisas antes de fazer,
E daí,depois que acho , fico me perdendo por me podar,
Pelo que os outros vão achar.
Você me entende?
Você também já se calou só pra evitar pré julgamentos?
To virando gente séria,adulta, e aprendi a achar.
Hoje me perdi.
De saudades.
Silvana Gonçalves
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Vem 2012, vem!!!
'Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, aque se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para adiante, vai ser diferente.'
Carlos Drummond de Andrade, poeta mineiro(1902-1987)
Passam os dias
em ponteiros apressados
O tempo corre
para não chegar atrasado.
Passam os meses
em semanas
mal calculadas.
Passa o ano
em meses e
enganos rápidos.
Daqui a pouco,
zerar cronômetro.
Fazer um balanço
e se preparar
para tudo isso
passar bem rápido.
Dias, semanas e meses
nem chegam e já são
passado.
Silvana Gonçalves
Carlos Drummond de Andrade, poeta mineiro(1902-1987)
Passam os dias
em ponteiros apressados
O tempo corre
para não chegar atrasado.
Passam os meses
em semanas
mal calculadas.
Passa o ano
em meses e
enganos rápidos.
Daqui a pouco,
zerar cronômetro.
Fazer um balanço
e se preparar
para tudo isso
passar bem rápido.
Dias, semanas e meses
nem chegam e já são
passado.
Silvana Gonçalves
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
poema para Sócrates, O tempo não para.
Quem explica um poema do Juca kfouri me fazer chorar?
talvez o tema-
amizade,morte
talvez a lua-
e esse vento,sorte
ou só porque humana,
carrego comigo
uma dor daquela
e a dor do
outro doeu
na minha.
Tenho cá
comigo que a
única parte
triste
no amor
é a despedida.
SiL. :)
.
O poema que me fez chorar:
' Ah, se eu pudesse fazer o tempo estancar.
... Ah, seu eu pudesse fazer o Magro voltar.
Ah, se eu pudesse fazer este domingo recomeçar.
Ah, eu que nada posso além de rimar sem criar,
posso mesmo, e apenas, chorar.
Chorar sem parar.'
JUCA KFOURI
04.12.11
(poema para Sócrates,O tempo não para)
talvez o tema-
amizade,morte
talvez a lua-
e esse vento,sorte
ou só porque humana,
carrego comigo
uma dor daquela
e a dor do
outro doeu
na minha.
Tenho cá
comigo que a
única parte
triste
no amor
é a despedida.
SiL. :)
.
O poema que me fez chorar:
' Ah, se eu pudesse fazer o tempo estancar.
... Ah, seu eu pudesse fazer o Magro voltar.
Ah, se eu pudesse fazer este domingo recomeçar.
Ah, eu que nada posso além de rimar sem criar,
posso mesmo, e apenas, chorar.
Chorar sem parar.'
JUCA KFOURI
04.12.11
(poema para Sócrates,O tempo não para)
terça-feira, 29 de novembro de 2011
que eu ja tenho asas...
Passava os dias ali, quieto, no meio das coisas miúdas.
E me encantei.
(Manoel de Barros)
<<>>
Da solidão
com o básico,
silêncio de pássaro.
barulho só de chuva
e ouvir o silêncio
até silenciar por dentro
e poder gritar
e de novo inteira
voltar ao que veio
e cantar com o vento.
nas coisas miúdas
a grandeza do ser
de ser
e de querer
o seu querer.
o que não se apara
na mão ficou aqui
e ouve comigo
a canção.
Silvana Gonçalves
E me encantei.
(Manoel de Barros)
<<>>
Da solidão
com o básico,
silêncio de pássaro.
barulho só de chuva
e ouvir o silêncio
até silenciar por dentro
e poder gritar
e de novo inteira
voltar ao que veio
e cantar com o vento.
nas coisas miúdas
a grandeza do ser
de ser
e de querer
o seu querer.
o que não se apara
na mão ficou aqui
e ouve comigo
a canção.
Silvana Gonçalves
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
'Evitemos a morte em doses suaves...'
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um feito muito maior que o simples fato de respirar. Somente a ardente paciência fará com que conquistemos uma esplêndida felicidade.
Pablo Neruda
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um feito muito maior que o simples fato de respirar. Somente a ardente paciência fará com que conquistemos uma esplêndida felicidade.
Pablo Neruda
'A saudade não é um bom relógio..'
Dia dos nossos mortos.
Nossos mortos..Parece piada
Vi a morte de perto e realmente ela estava viva.
É um suspiro mau dado, .
Um intervalo de ar errado e ela se instala.
Durante um tempo, negava a morte como sendo algo próximo. Não, comigo não.
Daí fui perdendo pessoas.
Vô, vó, uma tia, uma amiga, outra amiga,.e quando já tava quase me acostumando com a dona morte, ela veio e levou minha mãe, numa manhã de sábado.
Procuro até agora uma explicação. Não essa que todos temos: que é a ordem natural, que descansou, que foi morar com Deus..Não, procuro uma explicação mais convincente porque é meu coração que pede respostas.
E não tenho. Não tem explicação pra uma ausência doer tanto. E se é de amor que se alimenta essas saudades, há..quantas saudades .
Com a morte aprendi que a vida está viva.
Que cada dia é único e tem um valor inestimável.
Não escolho ser alegre ou triste pelo exterior das coisas, ou só em datas especiais. Não! Depois que vi a morte chegar, aproveito a vida.
O amor não diminuiu com a morte ,a saudade aumenta a cada dia.
E hoje como numa prece, penso nos meus mortos como anjos de luz.
Talvez sorrindo lá de longe pra mim .
Talvez também sedentos de um abraço.
Talvez também com saudades de mim.
*faz um tempo eu quis fazer uma canção pra você viver mais...*
SiL.
Nossos mortos..Parece piada
Vi a morte de perto e realmente ela estava viva.
É um suspiro mau dado, .
Um intervalo de ar errado e ela se instala.
Durante um tempo, negava a morte como sendo algo próximo. Não, comigo não.
Daí fui perdendo pessoas.
Vô, vó, uma tia, uma amiga, outra amiga,.e quando já tava quase me acostumando com a dona morte, ela veio e levou minha mãe, numa manhã de sábado.
Procuro até agora uma explicação. Não essa que todos temos: que é a ordem natural, que descansou, que foi morar com Deus..Não, procuro uma explicação mais convincente porque é meu coração que pede respostas.
E não tenho. Não tem explicação pra uma ausência doer tanto. E se é de amor que se alimenta essas saudades, há..quantas saudades .
Com a morte aprendi que a vida está viva.
Que cada dia é único e tem um valor inestimável.
Não escolho ser alegre ou triste pelo exterior das coisas, ou só em datas especiais. Não! Depois que vi a morte chegar, aproveito a vida.
O amor não diminuiu com a morte ,a saudade aumenta a cada dia.
E hoje como numa prece, penso nos meus mortos como anjos de luz.
Talvez sorrindo lá de longe pra mim .
Talvez também sedentos de um abraço.
Talvez também com saudades de mim.
*faz um tempo eu quis fazer uma canção pra você viver mais...*
SiL.
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